Vou falar de solidão…
Quase sempre achamos que solidão
é a ausência do outro…talvez seja a ausência de nós, no outro…
Mas a solidão não precisa de
ninguém, parece que se instala…como se fosse um hospedeiro que se alimenta não
de nós, mas dos nossos sentimentos, dos mais sombrios, os da autocomiseração,
da tristeza, da não-pertença.
Entra em nós e suga-nos a
energia, a vontade, dá-nos o afastamento ilusório do mundo.
A solidão alimenta-se do vazio,
do sorriso dos outros…como uma bofetada de felicidade alheia…ilusória, quase
sempre.
Mas,
Se o ser humano não se sentisse
só, o que seria da arte, da filosofia, até da ciência?
Talvez viver, seja um ato
solitário, como nascer e morrer….
O que eu penso da solidão?
Penso que o que nos falta não são
os outros, falta-nos talvez o sentido a dar aos outros, aos que estão
disponíveis para entrar na nossa vida e que entram. E o que fazemos com eles?
Cuidamos deles? Tratamo-los bem? Protegemo-los? Perdoamos-lhes o facto de serem
humanos?
PERMITIMOS A SUA EXISTÊNCIA DENTRO DA NOSSA
ESSÊNCIA…?
A verdadeira solidão acontece
quando já não há consciência dela própria, quando se deixa de questionar se
estamos sós…e apenas estamos.
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