quinta-feira, 19 de julho de 2012


PRISIONEIRO DA LIBERDADE



O vento bate na janela

E eu espero em compasso

Como louca sentinela

Pelo som do teu passo



E tu não vens

E tu não vens

Mesmo sabendo que me tens

Ou por saber que me tens



A solidão por um triz

O teu amor como sina

Agarra-me pela raiz

Quero sair desta esquina



E tu não vens

E tu não vens

Mesmo sabendo que me tens

Ou por saber que me tens



Tu acalmas tempestades

E desencadeias furacões

Vagueio pela cidade

Em busca de outras emoções



E tu não vens

E tu não vens

Mesmo sabendo que me tens

Ou por saber que me tens



A chuva pinga abandono

Sou perseguido pela saudade

Sou cachorro sem dono

Quero de volta a liberdade



E tu já não me tens

E tu já não me tens

Mesmo sabendo que vens
Ou por saber que ainda vens

Solidão??


Vou falar de solidão…

Quase sempre achamos que solidão é a ausência do outro…talvez seja a ausência de nós, no outro…

Mas a solidão não precisa de ninguém, parece que se instala…como se fosse um hospedeiro que se alimenta não de nós, mas dos nossos sentimentos, dos mais sombrios, os da autocomiseração, da tristeza, da não-pertença.

Entra em nós e suga-nos a energia, a vontade, dá-nos o afastamento ilusório do mundo.

A solidão alimenta-se do vazio, do sorriso dos outros…como uma bofetada de felicidade alheia…ilusória, quase sempre.

Mas,

Se o ser humano não se sentisse só, o que seria da arte, da filosofia, até da ciência?

Talvez viver, seja um ato solitário, como nascer e morrer….

O que eu penso da solidão?

Penso que o que nos falta não são os outros, falta-nos talvez o sentido a dar aos outros, aos que estão disponíveis para entrar na nossa vida e que entram. E o que fazemos com eles? Cuidamos deles? Tratamo-los bem? Protegemo-los? Perdoamos-lhes o facto de serem humanos?

 PERMITIMOS A SUA EXISTÊNCIA DENTRO DA NOSSA ESSÊNCIA…?

A verdadeira solidão acontece quando já não há consciência dela própria, quando se deixa de questionar se estamos sós…e apenas estamos.