domingo, 25 de agosto de 2013

GAME OVER

Todos os dias me confronto com os estragos e as consequências do desamor. Nos adultos, nos jovens e nas crianças. Nos adultos que já foram jovens, nos jovens que já foram crianças e nas crianças que  são já fruto do desamor. Gerações sem legado emocional...
Marcas profundas de abandono, do baixar dos braços de pais e mães que desistiram antes de começar, que carregam de geração em geração o vazio existencial, árido de valores e exemplos a transmitir.
Marco, 16 anos, jovem portador de profunda tristeza no olhar, acompanhado quase sempre de um encolher de ombros e de um "sei lá", atirado assim, cruelmente só, com desapego total do que quer que seja. Não há força, nem vontade, nem credo, nem Deus, nem Diabo...apenas aquela bolha que comprime e desatina, que invade e toma conta de si.. Não sabe explicar por palavras aquela amargura que implode silenciosa e que o consome aos poucos,  para a seguir explodir violentamente.
Nos dias bons, um carinho é quase sempre um soco nas costas do outro, ou um pontapé, ou um palavrão na ponta da língua...
Tanto servem para amar como para odiar. Tanto serve de verdade como de mentira, o amor...
Do outro lado da linha, o inimigo, o improvável, como confiar?? Para ele, os inimigos são cavalos de Troia, imponentes e lindos por fora, mas o que escondem??
E falam de confiança, palavra estranha essa, tão usada pelos outros, quase sempre ausentes, quase sempre imperfeitamente presentes, cheios de palavras bonitas, fluentes, que significam? Enfeitiçam pela sonoridade musical diferente, quase que o embalam, quase que acredita, apetece dizer que sim... ALERTA!!! Impossível passar de nível. GAME OVER !!!

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